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quinta-feira, 9 de abril de 2020

Leitura atenta: por que é importante?



Eu costumo dizer (e acredito muito nisso) que os livros que lemos fazem toda a diferença em nossas vidas, independente de sermos ou não escritores. Em seu livro, “Para Ler como um Escritor”, Francine Prose inicia tocando exatamente em um ponto que eu gostaria de chegar ao falar sobre as leituras que nós (escritores) fazemos.
“[...] aprendemos a escrever com a prática, o trabalho árduo, a repetição de tentativas e erros, o sucesso e o fracasso e com os livros que admiramos.” (pag. 15)
Os livros que lemos influenciam diretamente no modo que escrevemos, na forma que enxergamos a literatura e no valor que damos a ela. Portanto, se você quer escrever e\ou quer escrever melhor, o segredo é simples: leia. Há apenas uma diferença sutil (mas essencial) no modo que um leitor lê um livro e um escritor (em tese) deveria ler esse mesmo livro: a atenção empregada no ato.

O leitor normalmente está mais ligado ao conteúdo: ao enredo, às ações dos personagens, ao que sente enquanto lê etc. Um escritor[1] que busca aprimorar sua escrita ou entender porque uma determinada frase ou palavra evoca determinada emoção deveria exercitar o tipo de leitura que todos nós já fizemos um dia e que talvez (não generalizando, claro) em algum momento tenhamos perdido: a leitura atenta.
“Todos nós começamos como leitores atentos. [...] É palavra por palavra que aprendemos a ouvir e depois a ler, o que parece adequado, porque, afinal, foi assim que os livros que lemos foram escritos.” (pag. 17)
O que quero dizer é: o escritor mencionado acima lê uma obra atento à forma dela: ao modo que foi escrita; atento ao que está implícito, às escolhas feitas pelo autor que a escreveu, ao que cada palavra quer dizer, às construções, ao que cada parágrafo realmente informa ao leitor. Em outras palavras, esse escritor lê fazendo-se perguntas como: por que o autor escolheu essa palavra e não aquele sinônimo? Por que essa frase me faz sentir isso? Se o autor tivesse escrito essa frase de outro jeito, em outra ordem ou com outras palavras, eu ainda teria sentido isso? Todos esses adjetivos e advérbios eram realmente necessários para informar algo tão simples? E se esse autor não tivesse “enrolado” tanto para dizer isso, o efeito não teria sido maior e melhor? Por que esse parágrafo é tão grande? E por quê esse é tão pequeno?

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